Projeto «Coisas Grandes»

Quero ser necessário,
O melhor,
Ser útil,
Ser perfeito,
Deixar a minha marca,
Tornar-me cada vez maior,
Tornar-me grandioso…
E se eu não conseguir realizar meu potencial.
Ficarei sem realizar meus desejos…
Não dou nada de bom ao mundo,
Não significo nada,
Não sou um exemplo a seguir…
Shhh… silêncio
E se os grandes feitos não forem conquistas e méritos, mas a capacidade de simplesmente ser? Uma série de objetos cerâmicos nascidos à beira do oceano é uma reavaliação radical dessa crença obsessiva.
As formas que emergiram do fluxo do subconsciente e do ritmo das ondas desafiam a cultura do resultado. Seu valor está na marca do momento, na confiança no acaso, na honestidade das impressões digitais, e não na perfeição. É uma investigação da liberdade pela recusa dos padrões impostos de sucesso.
O projeto é um manifesto pessoal. Tendo percorrido o caminho do empreendedorismo à arte, a artista propõe outra hierarquia: o grande feito é desacelerar. Contemplar. A valiosa habilidade de estar presente no único tempo que importa — o agora.
Cada obra é uma impressão materializada da natureza exuberante do Brasil: flores secas lançadas à praia, as linhas das colinas, a generosidade dos trópicos. Texturas selvagens e espontâneas registram a vida na ilha e, através dela, um estado de liberdade interior, confiança na vida e profundo prazer no momento.
Enfatizando o processo como sua essência principal, o projeto afirma: o caminho importa, não a meta. A cerâmica é acompanhada de um arquivo fotográfico — um diário visual da vida dos objetos nascidos do diálogo com o oceano.
Catálogo
Obras criadas na ilha de Florianópolis, no Brasil.
Lembram, como em “Robinson Crusoe”: ele quis construir o maior barco, mas quando o construiu não conseguiu movê-lo do lugar. É assim a natureza humana — sempre buscando o grande e o grandioso.
No Brasil estou criando um projeto que, junto comigo, repensa a importância de buscar metas e mostra o contrário — a vida na observação do presente. Como a borda de uma folha de palmeira se enrola, qual é realmente a cor do oceano e com o que se parecem as flores secas lançadas à praia.
É uma investigação da liberdade pela recusa dos padrões impostos de sucesso. A descoberta de um novo estado — viver no momento presente. Foi aqui mesmo, no Brasil, que quis investigar este tema: como o ambiente influencia a manifestação da própria identidade. É fascinante observar.











